Cultura e História

Revolução Farroupilha: a história por trás do Dia do Gaúcho

20 de setembro de 2026 · Fernando Assis Dall Orsoletta · 5 min de leitura

Todos os anos, em 20 de setembro, a cultura e as tradições gaúchas ganham ainda mais destaque no Sul do Brasil. A data, conhecida como Dia do Gaúcho, relembra o...

Dia do Gaúcho e história da Revolução Farroupilha – 20 de setembro
Todos os anos, em 20 de setembro, a cultura e as tradições gaúchas ganham ainda mais destaque no Sul do Brasil. A data, conhecida como Dia do Gaúcho, relembra o início da Revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos, um dos acontecimentos mais marcantes da história do Rio Grande do Sul.

Como começou a Revolução Farroupilha?

A Revolução Farroupilha começou em 20 de setembro de 1835, na então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, durante o período regencial do Império brasileiro.

Entre as causas do movimento estavam insatisfações políticas e econômicas de setores da sociedade rio-grandense com o governo central. Um dos principais pontos de conflito envolvia a economia do charque, produto fundamental para a região. Os produtores locais enfrentavam dificuldades para competir com o charque vindo do Uruguai e da Argentina, enquanto reclamavam da política tributária adotada pelo Império.

Naquele 20 de setembro, forças revolucionárias ligadas a Bento Gonçalves da Silva avançaram sobre Porto Alegre. O episódio marcou o início de um conflito que se prolongaria por quase dez anos.

A República Rio-Grandense

A revolta ganhou novas proporções em 1836. Depois da vitória farroupilha na Batalha do Seival, Antônio de Souza Netto proclamou a República Rio-Grandense, também conhecida como República de Piratini.

A partir daquele momento, parte dos revolucionários passou a defender uma organização republicana separada do Império. Bento Gonçalves se tornaria uma das principais lideranças políticas e militares do movimento.

A guerra ultrapassou as fronteiras do atual Rio Grande do Sul. Em 1839, forças farroupilhas chegaram a Laguna, em Santa Catarina, onde, com a participação de nomes como Giuseppe Garibaldi e David Canabarro, foi proclamada a chamada República Juliana.

Esse episódio cria uma ligação histórica particularmente interessante entre a Revolução Farroupilha e Santa Catarina.

Uma história de coragem, mas também de contradições

Com o passar do tempo, a Revolução Farroupilha tornou-se um dos principais símbolos da identidade gaúcha. Entretanto, conhecer sua história significa também compreender suas complexidades.

O conflito envolveu proprietários rurais, militares, trabalhadores, mulheres, homens livres e pessoas negras escravizadas ou libertas. Entre os grupos que ganharam destaque estavam os Lanceiros Negros, combatentes fundamentais nas forças farroupilhas.

Pesquisas do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul mostram justamente a importância de ampliar a leitura tradicional da Revolução, incorporando a participação de negros, mulheres, soldados e da população comum.

Além disso, apesar da participação de pessoas negras nas tropas revolucionárias e de promessas de liberdade vinculadas ao serviço militar, a escravidão não foi formalmente abolida pela República Rio-Grandense. Esse aspecto mostra que a Revolução Farroupilha foi um processo histórico complexo, marcado tanto por ideais políticos quanto pelas profundas desigualdades da sociedade brasileira do século XIX.

Como terminou a Revolução Farroupilha?

Depois de quase uma década de combates, desgaste militar e negociações, a guerra caminhou para seu encerramento.

As tratativas envolveram lideranças farroupilhas e forças imperiais comandadas por Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias. Em 1845, os entendimentos de paz encerraram o conflito e reintegraram os revolucionários à ordem imperial.

Terminava assim uma guerra iniciada em setembro de 1835 e que deixaria marcas profundas na história política, social e cultural do Sul do Brasil.

Por que comemoramos o Dia do Gaúcho em 20 de setembro?

O 20 de setembro tornou-se uma data de preservação da memória e das tradições gaúchas justamente por marcar o início da Revolução Farroupilha.

Atualmente, a data ultrapassa a lembrança dos acontecimentos militares. Ela também está associada à valorização da cultura gaúcha, do tradicionalismo, da música, da culinária, das danças, da vida no campo e dos costumes transmitidos entre gerações.

No Sul do Brasil, essas tradições ultrapassaram as fronteiras do Rio Grande do Sul.

As raízes gaúchas também chegaram ao Meio-Oeste Catarinense

A história de Santa Catarina possui forte relação com os movimentos populacionais vindos do Rio Grande do Sul.

Ao longo das gerações, famílias gaúchas chegaram a diferentes regiões catarinenses levando consigo costumes, formas de trabalhar a terra, gastronomia, religiosidade e tradições que contribuíram para a identidade das comunidades locais.

No Meio-Oeste de Santa Catarina, essa herança pode ser percebida em muitos hábitos que permanecem presentes na vida cotidiana: no chimarrão compartilhado, na culinária, nas festas comunitárias, no trabalho rural e na hospitalidade característica das famílias do interior.

No Refúgio Entre Rios, localizado em Lacerdópolis, valorizamos essa conexão com nossas raízes e com a história das pessoas que ajudaram a formar nossa região.

Celebrar o Dia do Gaúcho também é reconhecer essa herança.

É recordar a história sem deixar de compreender suas complexidades e, sobretudo, preservar aquilo que atravessou gerações: o respeito pela terra, a vida no campo, a hospitalidade e o orgulho de nossas raízes.

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Dia do Gaúcho e história da Revolução Farroupilha – 20 de setembro
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